terça-feira, 7 de setembro de 2010

Spread the Plague


  Emilie Autumn não é muito conhecida aqui no Brasil, mas é na minha opinião uma das maiores artistas dessa geração. Emilie Autumn nasceu em 22 de setembro de 1979 começou a aprender violino aos 4 anos. Aos 10, ela entrou para a Escola de Performances Artísticas Colbourn e aos 15 na Escola Universitária de Música de Indiana, mas ela acabou saindo de lá devido a desentedimentos com os superiores em relação à sua forma não tradicional de ser e de se vestir, então começou a estudar sozinha, praticando cerca de 9 horas por dia. Emilie disse que "comia, dormia e respirava suas gravações, muito pela grande e usualmente notada decepção dos (seus) professores" e que "lia tudo que estiver em baixo do Sol, desde história musical à literatura feminista à Shakespeare". 

  O primeiro álbum lançado por EA foi "On a Day" que é um álbum de música clássica com composições dela mesma e de outros compositores famosos como Bach, Leclair e Corelli. Em 2003 ela lançou "Enchant", um álbum que tem uma aura mais calma e  aborda temas como contos de fadas, e em 2006 o álbum que considero sua obra-prima: "Opheliac". "Opheliac" se refere à uma pessoa que sofe da "sindrome de Ofélia" que seria uma espécie de síndrome do romantismo. É um álbum duplo agressivo e forte, em que ela toca com violino elétrico distorcido e cravo com remixagens, tornando o som muito peculiar, um estilo que ela define como vitoriano-industrial. As letras são inspiradas em literatura, loucura, história e suas próprias experiências pessoais. É um tipo de música bastante singular. Na primeira vez que ouvi demorei um tempo pra decidir se gostava ou não, agora decidi que adoro. Vou colocar aqui algumas músicas pra vocês conhecerem mais o trabalho dela:




Shalott:



  Essa música é baseada no poema "The Lady of Shalott" que conta a história de uma jovem amaldiçoada a viver presa numa torre, podendo ver o mundo apenas através de um espelho, até que um dia ela vê um cavaleiro, se apaixona, foge e decide ir atrás dele, mas como a maldição não permite que ela saia da torre, ela morre antes de encontrá-lo. Há uma outra versão da história em que ela chega a conhecê-lo mas ele se mostra um bêbado arrogante que não respeita mulheres e a lady fica muito angustiada com a realidade do mundo e morre por dois motivos: a maldição e o desgosto com o mundo real.


Dead is the New Alive:



  Nessa música ela satiriza a forma com que algumas pessoas vivem, quando elas ficam tão fissuradas com a morte que deixam de viver. Emilie disse que passou uma época da vida se sentindo assim, e que acredita que as pessoas precisam ser capazes de satirizar a si mesmo.

  Aliás que a vida dela foi bastante conturbada. Emilie Autumn é bipolar e devido às dificuldades por quais ela já passou (incluindo um estupro) ela entrou em depressão e ficou um tempo internada. Essa experiência influenciou muito o trabalho dela, que não é apenas com música, Ela também escreve, um dos seus livros é de poemas ("Your Sugar sits Untouched") e o outro é uma mistura de ficção com realidade, em que ela fala sobre suas experiências e traça um paralelo com os manicômios da era Vitoriana. ("The Asylum for Wayward Victorian Girls").  Ela já lançou outros álbuns além dos que já mencionei, como "Laced & Unlaced" (onde ela explora a mistura de música clássica e eletrônica), e "A Bit O' This & That", ela também já fez covers de Alice Cooper, Queen, Billie Holliday e até Cyndi Lauper. Além disso ela também já trabalhou ao lado de Courtney Love.
  Emilie Autumn diz que quando as pessoas vão a um show, elas não querem apenas ouvir a música, então ela faz questão que a parte visual de suas apresentações seja tão bem trabalhada quanto a música, cada show normalmente dura cerca de três horas e é repleto de atos teatrais, fantasias e cenário detalhado com um ar que mistura circo e manicômio vitoriano com um toque de steampunk. Tem também as Bloody Crumpets, as ajudantes da Emilie, cada uma delas representa alguma personagem relacionada a algum tipo de loucura.


  Pra finalizar, vou explicar o título desse post: Emilie Autumn costuma chamar seus fãs de "plague rats". Ela adora ratos e acredita que eles são mais amigáveis e compreensivos que as pessoas. Além disso os plague rats espalham a praga: mostram o trabalho de Emilie para que os outros também sejam infectados pela arte dela.



6 comentários:

  1. Bom post ^^
    Mas podia ter falado algo das Bloody Crumpets

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  2. Muito bom o post! Não sabia que o primeiro álbum da EA era "On a Day", nem conhecia esse álbum! Achava que o "Enchanted" era o primeiro!

    E gostei da citação à história de Shalott! Adoro essa música! Aliás, você poderia falar da versão da Loreena McKennitt para a lenda da Lady de Shalott, cuja letra é o poema original de Alfred Tennyson.

    E muito bom o blog! Já estou seguindo!

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  3. Não conhecia, mas adorei o estilo de roupas =D
    E aliás, as pessoas deveriam parar de ter tanto preconceito com ratos xD

    Deveria fazer um post sobre isso =]
    Domingos, o rato propaganda da Campanha o/

    Nandorf

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  4. Incrivel como vc soube combinar perfeitamente o seu talento para escrever com o seu conhecimento sobre a artista, isso torna a leitura interessante e não chata.
    Muitas coisas que você falou eu não sabia sobre a EA, mas realmente deu curiosidade sobre qual loucura cada Bloody Crumpets representa,... Enfim, talvez isso seja esclarecido no livro.
    Adorei seu blog, virei sua fã! *-*

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  5. Muito legal, parabéns por "propagar a praga". Desde que conheci Emilie Autumn acho ela a melhor artista que já vi e ouvi. Pena que ela não vêm pra cá nunca, o dia que tiver um show dela aqui vou ir com certeza. É bom ver que a galera tá começando à conhecer ela aqui no Brasil também, mesmo que meio no "underground" ainda, antes tudo que eu procurava sobre ela achava em sites internacionais, fico feliz em encontrar algo em um blog nacional.

    É isso ai, vamos divulgar "a praga" e quem sabe um dia ela vêm pro Brasil fazer um show pra gente lotar :D .

    Abraços, parabéns pelo post.

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  6. Ótimo post! A unica coisa que eu ainda não entende bem é esse lance do estupro, só dá pra ter uma ideia subentendida pelas letras das músicas. Acho que a própria Emilie não goste muito de dar detalhes sobre isso, talvez...

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