domingo, 24 de outubro de 2010

Desfile Moda e Literatura


  
Na última sexta feira, dia 22/10 na livraria cultura da av. Paulista aconteceu um evento muito interessante: os alunos da FMU organizaram um desfile de moda que buscava expressar pelas roupas obras literárias latino americanas, essa foi sua sétima edição. Nunca estive num desfile de moda antes e me interessei por este já que não era um desfile que procurava mostras as tendências para o verão, mas sim mostrar expressão através das roupas, estava claro que não havia nenhum interesse comercial envolvido. Gostei do evento e espero poder ir em outros parecidos. 


  Os estilistas eram todos alunos e trabalharam cerca de 4 meses em seus projetos, mostrando que moda não é apenas shopping e seguir o fluxo, mas sim uma forma de expressão através do que usamos para vestir, a roupa como uma forma de arte. O evento era totalmente aberto para o público e para assisti-lo não era preciso pagar nada. 
  Só achei dos problemas nesse evento: O primeiro é que o caminho que os modelos faziam ao desfilar com as roupas era muito complicado e era difícil de acompanhá-los, por vezes tínhamos que pegar escadas e passar por entre as estantes da livraria, e entravamos e saíamos de lá várias vezes, sendo que não havia nenhuma indicação do trajeto que seria feito. O outro é que era tudo muito rápido, não só o caminho era difícil, mas também era preciso correr para acompanhar e por causa disso não pude ver todos os modelos nem tentar identificar qual obra eles representaram. É uma pena, pois parecia que os trabalhos eram bem interessantes, mas não consegui absorver tudo, e o desfile acabou muito rápido, deve ter durado uns 15 minutos e foi muito confuso. Se eu fosse uma das estilistas não gostaria que  o trabalho que me durou mais de um trimestre para ser completado não pudesse ter sido apreciado pelo público.
  Fora isso, espero que ano que vem estes detalhes sejam resolvidos, pois de fato é um evento muito bacana, acho até que deveria ser mais divulgado, ele mais cabe no bolso de muita gente, além de mostrar que moda não é futilidade e incentivar a leitura das obras que inspiraram o desfile e a conhecer novos autores.
  Para quem se interessa na moda não fútil: http://pseudouniverso.blogspot.com/

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Comédias românticas

  Pois é, não suporto filmes de comédia romântica, isso porque eles são todos iguais e a história normalmente é sem sentido. Até os cartazes/capas são iguais: Fundo branco, casal na frente em foto de corpo inteiro, ela provavelmente está usando um vestido formal sem motivo
   Agora vamos à originalidade da estória. Vou chamar a típica protagonista de comédias românticas de Mary, e o típico protagonista de comédias românticas de John. Mary provavelmente é uma mulher muito ligada ao trabalho, nunca se apaixonou, caso ela tenha se apaixonado teve uma decepção muito forte, aí temos duas possíveis Marys no caso do filme ter a mulher como personagem principal (maioria dos casos): a que não procura um relacionamento pois gosta de ser solteira ou aquela que está louca pra casar.
  Se Mary é workaholic, John provavelmente é desencanado e calmo, enquanto ela é meio neurótica (primeiro grande cliché: opostos se atraem), óbvio que eles se odeiam no começo, normalmente em comédias românticas vale a regra: quanto mais você briga com alguém maior será seu amor por essa pessoa. O casal ficará o filme inteiro brigando por coisas bestas e se odiando até que por algum motivo eles saem pra conversar provavelmente em um restaurante e Mary descobre que apesar de John se mostrar um imbecil ele é um cara sensível, mesmo que ele tente esconder esse lado. Ela demora para aceitar que o relacionamento deles vai dar certo e decide tentar. Tudo indica que eles vão se casar imediatamente até que eles brigam de novo por algum motivo necessariamente causado por um desentendimento ou falha de comunicação. Ao fazerem as pazes eles ficam felizes para sempre.
  
  Se Mary está louca pra casar ela provavelmente passou a vida em relacionamentos ruins e está perdendo a esperança até que um príncipe encantado aparece e ela se apaixona, mas ela é muito insegura para acreditar que ele a ama. Nesse caso John passa a amar Mary sem motivo nenhum, antes mesmo de se conhecerem ele já está super afim dela e vai fazer de tudo pra que ela saia com ele. Eles provavelmente se conheceram numa festa. Altas chances de aparecer uma cena em que John conversa com um amigo que tira sarro dele por estar tão afim de Mary. Em ambas situações Mary vai obrigatoriamente passar algum vexame durante o filme.
  Caso o personagem principal do filme seja um homem temos dois casos: ou ele a conheceu agora ou eles são amigos de infância. No primeiro caso, John é tímido e se sente inseguro de tentar chegar numa mulher como Mary. No segundo ele provavelmente é um mulherengo que nunca tinha percebido que amava Mary até que ela decide se casar. Ela desiste do noivo de última hora.


  Agora vem o pior tipo de todos: O filme com todos os atores famosos de Hollywood que mostra várias estórias românticas ao mesmo tempo não necessariamente intercaladas. Você sabe do que estou falando. Eles só fazem sucesso porque são muito bem colocados no mercado e há muita propaganda, além dos altos investimentos nesse elenco de atores famosões. As histórias passam rápido, e adivinhem só: são todas clichés, incluindo a do garotinho emo de menos de 10 anos se apaixonando e pedindo ajuda pra lidar com isso para um adulto.
  Pois é, eu não gosto de romances/comédias românticas simplesmente porque não só são todos iguais, mas também porque é um tipo de filme que não impressiona. Por que será que não se usa a criatividade nesse estilo?

domingo, 26 de setembro de 2010

Gerges Méliès, o pai dos efeitos especiais




  Pra quem não conhece, Geroges Méliès foi um ilusionista francês que viveu entre 1861 e 1938, considerado pai dos efeitos especiais. Ele trabalhava no Teatro Robert-Houdin e em 1895 viu a primeira apresentação de um filme na história realizada pelos irmão Lumière e desde então ficou fascinado com o cinema. Decidiu então comprar um cinematógrafo, mas os irmãos Lumière se recusaram a vender para ele, então Méliès construiu um.
  Méliès descobriu alguns truques com a câmera, e em 1897 construiu seu próprio estúdio, o Star Films. Nele, os filmes eram gravados em frente a um cenário fixo com câmera também fixa com o fundo sendo feito por uma pintura a óleo, tal como eram realizados peças de teatro e apresentações de mágicos.



  Os efeitos são impressionantes para a época, e percebe-se que ele era um homem à frente de seu tempo. Um dos seus filmes mais famosos foi "Le Voyage dans la Lune" (A viagem para a Lua) feito em 1902. Isso mesmo, 67 anos antes de se realizar a primeira viagem tripulada à lua, Méliès fez um filme sobre isso (tem até alienígenas nele!), sendo os filmes que eram exibidos em sua época normalmente tratavam de cenas cotidianas, como um trem chegando à estação ou mulheres saindo de uma fábrica, não se fazia filmes que tinham estória, roteiro, narrativa, personagens, figurinos, cenários etc. Por isso considera-se que ele foi quem inaugurou o gênero de ficção científica no cinema. Outros filmes dele: Joana D'Arc, Viagens de Gulliver, Cinderella, Cleopatra, 20.000 Léguas Submarinas, entre outros.




  Seus trabalhos de ficção científica foram muito inspirados nos livros de Julio Verne e H.G. Wells. Alguns dos efeitos que Méliès inventou foram: fusão de imagens, exposição múltipla de negativos, maquetes e truques ópticos, criando a ilusão de fantasmas, pessoas e coisas que se transformavam ou sumiam e reapareciam. Além disso Méliès também foi o primeiro a experimentar com filmes coloridos. Isso mesmo, o cara fez filmes com cores antes do início do século XX. A sua técnica para colorir filmes dava trabalho: ele pintava cada frame com pincel e tinta.




  Infelizmente o estúdio de Méliès foi à falência em 1913, pois seus filmes haviam sido pirateados e estavam sendo distribuídos e exibidos em outros países sem os devidos direitos autorais. Thomas Edison por exemplo, foi um dos que roubaram alguns filmes de Méliès para serem exibidos nos Estados Unidos antes que Méliès expandisse seu trabalho para o outro lado do Atlântico. Depois da falência da Star Films, Méliès voltou a fazer apresentações de mágica, mas em 1923 seu teatro fechou e teve que ser vendido, junto com os figurinos, cenários e adereços utilizados para os filmes. Méliès teve que passar o resto da vida sobrevivendo vendendo doces. 
  Na época em que ainda estava ativo, Méliès tinha feito mais de 500 filmes com duração que variava entre um minuto e 45 minutos. Grande parte deles foram derretidos na primeira guerra mundial para fazer solas de sapatos para os soldados, já que na época os filmes eram feitos de celulose. Outros foram vendidos para serem reciclados para que se pudesse fazer mais filmes, por isso a maioria dos filmes dele não existem mais.

domingo, 12 de setembro de 2010

O problema de Crepúsculo I - Machismo


  Tem tanta coisa errada nessa série que não dá pra fazer um post só. Li a série de Stephenie Meyer antes de ela se tornar famosa, antes de fazerem o filme. Na época, simplesmente achei que o livro era meloso demais, e acabou por aí. Conforme o tempo passou, a série acabou virando um filme e então surgiu toda essa febre em cima dela, e com isso surgiu uma legião de fãs que idolatram essa estória. Não me levem a mal, não tenho absolutamente nada contra fãs normais, são as fãs que consideram Stephenie Meyer uma deusa e Edward Cullen um deus que me incomodam. 
  
  Depois que a febre dessa série (que não é saga, é série) começou, eu comecei a perceber as mensagens que essa história passava, e percebi como elas são retrógradas e degradantes para as mulheres e também como Stephenie Meyer é uma autora amadora, e infelizmente essa história pode influenciar a percepção de gênero de uma geração. Eu não tenho nada contra uma pessoa que escreve algum livro/música/filme que eu não goste, o problema com Meyer, é eque ela age de forma arrogante e infantil, perdi qualquer respeito que tinha por ela depois que vi a seguinte declaração dela: "There's a lot of stuff online that has, honestly, broken my heart recently. It is difficult to read things that take such a negative spin on something that is very personal and also makes a lot of sense inside your head." (Há muita coisa online que, sinceramente, partiu meu coração recentemente. É difícil ler coisas que levam para o lado negativo algo que é tão pessoal e que faz muito sentido dentro da sua cabeça.). Isso se chama crítica, e não importa o que você faça nesse mundo, você nunca conseguirá agradar a todos.


    Um dos problemas desse livro é que a autora está apaixonada pelo próprio personagem, e isso é refletido na maneira em que a estória foi contada, isso é mostrado de forma ainda mais forte pelo fato da estória ter sido contada em primeira pessoa pelo ponto de vista da heroína do livro que por acaso também é apaixonada por Edward, limitando a visão do mundo da série, pois só temos o ponto de vista de uma personagem e os sentimentos dela distorcem o que ela vê.  É triste saber que uma mulher escreveu esse livro durante o século XXI, mas Meyer também faz parte da elite conservadora dos Estados Unidos, o que explica seus padrões morais que datam cerca de um século.
  Aliás que eu também não coloquei esses cartazes dos filmes aqui à toa, neles a mensagem que a mulher é fraca e os homens são fortes está muito clara, Bella obviamente é a donzela em apuros.


  Agora vou mostrar em que momentos do livro que são dadas essas mensagens machistas: O relacionamento do casal principal é baseado na dominação de Edward sobre Bella, e isso é demonstrado logo no começo do livro:


"Agora estávamos perto do estacionamento. Virei para a esquerda, para minha picape. Algo pegou meu casaco, puxando-me para trás.
  - Aonde pensa que vai? - perguntou ele, furioso. Agarrava um pedaço do meu casaco.
  Fiquei confusa.
  - Vou pra casa.
  - Não me ouviu prometer que levaria você para casa com segurança? Acha que vou deixar você dirigir nas suas condições? - A voz dele ainda era indignada.
  - Que condições? E a minha picape? - reclamei.
  Vou pedir a (sic) Alice para levar depois da aula. - Ele agora me rebocava para o carro dele, puxando-me pelo casaco. Era o que eu podia fazer para não cair de costas. Ele provavelmente me arrastaria de qualquer maneira, se eu caísse.
  - Solta! - insisti. Ele me ignorou. Cambaleei de lado pela calçada molhada até que chegamos ao Volvo. Depois ele finalmente me libertou - e eu tropecei para a porta do carona.
  - Você é tão mandão! - eu rosnei.
  - Está aberta - foi só o que ele respondeu. Ele assumiu a direção.
  - Sou perfeitamente capaz de dirigir pra casa! - Fiquei parada ao lado do carro, fumegando. Agora chovia forte e eu não havia posto o capuz, então meu cabelo estava pingando nas minhas costas.
  Ele baixou o vidro elétrico e se inclinou pra mim sobre o assento.
  - Entre, Bella.
  Não respondi. Estava calculando mentalmente minhas chances de chegar à picape antes que ele pudesse me alcançar. Tinha que admitir que não eram boas.
  - Vou arrastar você de volta - ameaçou ele, adivinhando meus planos.
  Tentei manter a maior dignidade que pude ao entrar no carro dele."


 Crepúsculo, pág 89

  Quando eu li esse trecho me veio à cabeça a seguinte imagem:


Mim Edward, mim querer Bella

  O mais triste é que Edward é visto como o cavalheiro romântico ideal. Não é apenas nesta cena em que ele demonstra seu lado dominador. No primeiro livro há uma cena em que ele leva Bella para uma floresta e faz várias demonstrações de como ele é superior a ela, e como ela deve temê-lo. Na verdade, Edward parece gostar de quando Bella tem medo dele.

  "- Você ainda está esperando que eu fuja aos gritos, não é? - conjecturei.
  Um sorriso fraco tocou sues lábios e ele assentiu.
  - Odeio romper sua bolha, mas você não é tão assustador quanto pensa. Na verdade, não acho você nada assustador - Menti casualmente.
  Ele parou, erguendo as sobrancelhas numa descrença evidente. Depois disso faiscou um largo sorriso malicioso.
  - Você realmente não devia ter dito isso - ele riu.
  Edward grunhiu, um som grave do fundo da garganta; seus lábios se curvaram para baixo sobre os dentes perfeitos. Seu corpo mudou de repente, meio agachado, tenso como um leão prestes a atacar.
  Eu recuei, olhando fixamente.
  - Não devia.
  Não o vi saltar para mim - foi rápido demais. Só me vi de repente no ar e depois nos chocamos contra o sofá, batendo-o na parede. (...)
  - O que você estava dizendo mesmo? - grunhiu ele de brincadeira.
  - Que você é um monstro muito, muito terrível - eu disse, meu sarcasmo meio desfigurado por minha voz sem fôlego.
  - Muito melhor assim - aprovou ele."

Crepúsculo, págs 270 e 271

 Há outra cena que me chamou a atenção na série, dessa vez no terceiro livro, e o que me impressionou é que mantiveram esta cena para o cinema:



  "Eu não sei quanto tempo eu fiquei lá pesando os prós e os contras - fazer a coisa certa em relação a Jacob, ver o meu amigo mais próximo de novo, ser uma boa pessoa, versus fazer Edward ficar furioso comigo.(...) Além do mais, eu precisava vê-lo (...) Eu provavelmente tinha uma hora. Eu podia ir correndo até La Push e estar de volta antes que Edward se desse conta que eu havia saído. Já passava do meu toque de recolher (...)
  Como qualquer fugitiva, eu não pude deixar de olhar por cima do ombro algumas vezes (...) Os meus olhos estavam apenas começando a se ajustar enquanto eu colocava as chaves na ignição. Eu girei elas com força para a esquerda, mas ao invés de ligar rosnando alto, o motor só fez um clique. Eu tentei de novo com os mesmo resultados. E aí um pequeno movimento na minha visão periférica me fez pular.
 - Gah! - eu ofeguei de choque quando me dei conta de que não estava sozinha na cabine.
Edward estava sentado muito rígido, um fraco ponto brilhante na escuridão, só as mãos dele se moviam enquanto ele girava um misterioso objeto preto pra lá e pra cá. Ele olhava para o objeto enquanto falava.
  - Alice ligou - ele murmurou.
  Alice! Droga. Eu tinha me esquecido de levá-la em conta nos meus planos. Ele devia ter pedido pra ela ficar me vigiando. (...)
  - Você não podia saber dessa parte, eu me dou conta disso. Mas será que você pode entender que isso pode me deixar um pouco... ansioso? (...)
  Ele falava como se estivesse falando sozinho agora, ainda olhando para o pedaço do motor da minha caminhonete enquanto ele o girava nas mãos.(...)
  Eu escutei os pensamentos dele em silêncio de pedra.
  - Eu vou reconcertar o seu carro a tempo para a escola amanhã, no caso de você querer ir sozinha - ele me assegurou depois de um minuto.
  Com os meus lábios grudados um no outro, eu retirei as minhas chaves rapidamente e saí da cabine rigidamente.
  - Feche a janela se você quiser que eu fique longe essa noite. Eu vou entender - ele sussurou bem antes de eu bater a porta. Eu entrei em casa, batendo a porta também.
(...)
  Eu subí as escadas me arrastando, e fui direto para a minha janela. Eu puxei e estrutura de metal com força - ela bateu quando fechou e o vidro tremeu. Eu olhei para o vidro negro tremendo por um longo momento, até que ele parou. Aí eu suspirei e abri a janela o máximo que ela podia abrir."






Eclipse pdf, págs 45-47, negrito e sublinhado por minha conta



Isso é óbvio
  Bella se mostra extremamente dependente de Edward, tanto que quando ele decide deixá-la ela entra em depressão por meses e pensa em cometer suicídio. Ela aceita tudo o que ele faz e diz, independentemente do que ela acha da situação. Em nenhum momento do livro esta situação é posta como um problema, e na vida real há muitas mulheres que sofrem por causa de companheiros abusivos e controladores, e já é difícil fazer com que elas enxerguem o problema e busquem uma solução, aí aparece Meyer dizendo que não há problema nessa situação e que ele faz isso porque te ama, e isso é amor verdadeiro. Já falei que odeio a Stephenie Meyer?


  E não é apenas nessa relação em que o machismo está presente. Um detalhe que me chamou a atenção na série é que todas as personagens femininas estão ou casadas ou namorando até o fim da série. Nada contra casar e namorar, mas fica meio implícito que se você não tem um homem na sua vida, você não tem como ser feliz. As únicas duas exceções são uma viúva (Victória, que por terem matado seu companheiro passa o resto da vida querendo revanche) e Lea, que é uma personagem muito interessante. Lea é a unica lobisomem mulher, no passado ela tinha namorado, mas ele a abandonou pela prima de Lea, e Lea também é infértil. Ou seja, ela é uma personagem com potencial, mas ela se mostra um peso para o grupo de "lobisomens", pois não só ela é reclamona (cá entre nós com motivo, mas isso não muda o fato de ser perceptível que a autora não gosta de Lea) e todos a odeiam, ela também se mostra incompetente na luta, e o bando acaba se ferrando por que ela é muito burra e faz tudo errado.

  Além disso as mulheres do livro parecem vidradas em se casarem e terem filhos. A própria Bella não tem ambição nenhuma na vida fora viver pra sempre com Edward (Ela nunca comenta que carreira gostaria de seguir se não tivesse se casado, que faculdade gostaria de fazer, algum hobbie, qualquer coisa!). E aliás, no caso da Bella, ler não conta como hobbie, por que as citações de livro que ela faz só servem pra comparar o "amor" entre ela e Edward com o amor da literatura em língua inglesa.

  Agora vou apresentar a vocês a personagem mais inútil da história toda: Esme Cullen. O único propósito dela na série inteira é ser esposa de Carslile e mãe de Edward e dos outros vampiros. Mais nada. Ela simplesmente não faz nada, nunca. Muitas vezes você até esquece da existência dela. 
  Por que uma família de vampiros, todos adultos, vão precisar de uma mãe? O que exatamente ela faz o dia inteiro? Limpa a casa? Pra quê se eles nem a sujam. Faz comida? Não precisa, vampiros se alimentam de sangue, e cada um caça por si próprio. Eu imagino que quando o marido dela vai trabalhar e os pseudofilhos dela vão pra escola ela fica com a bunda no sofá olhando pro teto até eles chegarem. Aí ela continua sentada no sofá olhando pro teto.
  Isso é muito deprimente, você tem a eternidade toda pra viver e não faz nada, absolutamente nada. Sei lá, ela podia trabalhar, ter um hobbie, ou uma personalidade, quem sabe?


  Então lembrem-se garotas: se um cara te arrasta para o carro, é porque ele te ama. Mesma coisa se ele quebra o seu carro pra você não ter vida social além dele. Se você pensa em alguma coisa em qualquer momento do dia que não é ele, é porque seu amor não é verdadeiro, você só ama se você precisar dele para absolutamente tudo, até respirar, e isso não é ser dependente, é xXxAmoR vERdaDeIrOxXx (coraçãozinho S2 S2).

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Alice no País das Maravilhas de Tim Burton



  Tim Burton é um excelente diretor, e raramente ele me decepciona. Quanto soube que ele faria uma versão de Alice no País da Maravilhas fiquei super ansiosa, o que é raro acontecer hoje, pois o cinema atual vive me decepcionando. Claro que às vezes há algum filme bom por aí, mas a maioria é muito fraca. Assim que Alice estreou fiz questão de ir assistir, e me decepcionei. Muito.

   Sei que a obra original de Lewis Carrol é non-sense, mas uma história non-sense não deve se contradizer. O non-sense é utilizado para criar um outro mundo com uma lógica diferente da nossa, por isso para nós ele aparentemente não tem sentido, mas o enredo tem que ter um sentido, Tim Burton tentou dar esse sentido, mas acabou caindo em contradição, e uma contradição muito forte, que acabou afetando a mensagem que o filme deveria passar.


  O filme começa mostrando uma Alice de quase 20 anos, muito imaginativa e que pensa de maneira diferente das outras pessoas de sua época, o que faz com que ela se sinta louca. Numa das cenas iniciais ela se vê numa situação em que se sente pressionada por todos à sua volta a dizer "sim" a um pedido de casamento de um Lord desagradável que não respeita seu modo de pensar. Alice fica nervosa e sai correndo, encontra o famoso coelho branco que a leva de volta ao País das Maravilhas, lugar que ela já havia visitado há muitos anos, mas que ela acreditava ter sido um sonho.


  Lá, ela descobre que há uma lenda da qual Alice é a personagem principal, lá eles dizem que ela tem que matar o "Jabberwock" (um tipo de dragão), mesmo Alice não acreditando ser capaz. A jornada dela pelo País das Maravilhas deveria mostrar uma mudança no personagem de Alice, fazendo com que ela percebesse como ela pode fazer o que ela acreditar ser capaz, mostrando Alice como uma personagem forte. Não é isso o que acontece. Durante o filme inteiro Alice não entende o que está acontecendo e só faz aquilo que a mandam fazer, ela não traça o próprio caminho, só obedece, mostrando-se uma personagem sem vontade própria.


  A cena em que a Rainha Branca pede para Alice vestir a armadura e lutar contra o Jabberwock é idêntica à cena em que ela é pedida em casamento. Em ambas as cenas, o pedido é feito à Alice e há uma multidão encarando-a esperando que ela diga sim, a diferença é que nós não devemos gostar dos personagens que querem que ela se case, mas devemos gostar dos personagens que querem que ela lute. A pressão psicológica na garota é tanta que chegam a dizer pra ela que se ela não matar o Jabberwock vai ser o fim do País das Maravilhas e todo mundo vai morrer, mas cabe à Alice decidir se vai matar o Jabberwock ou não. Nossa, que bela escolha que vocês deram a ela, não? Viva o livre arbítrio!


  No final das contas, Alice mata o Jabberwock (mesmo não sabendo o que está fazendo) e volta para o mundo onde as pessoas querem que ela se case. Há então uma cena cliché em que ela fala tudo o que pensa para cada uma das pessoas presentes e então anuncia que não irá se casar, e sim administrar a empresa do pai como sócia de um dos amigos de seu falecido pai, o que nos leva a outra contradição: é muito legal ver uma personagem feminina numa situação tipicamente masculina em uma época de repressão à mulher, mas isso vai longe demais, como um homem de negócios de meia idade do século XIX vai aceitar dividir a administração de uma empresa de igual pra igual com uma garota que tem menos que 20 anos, nunca trabalhou no ramo e que vem com propostas absurdas?




  E nem me fale do exagero do GCI, embora não fosse mal-feito, seria mais passível se não se usasse tela azul pra tudo, parece que o filme inteiro é um photoshop gigante. Muitos cenários, como por exemplo o interior do castelo da Rainha Vermelha (ou Rainha de Copas) seriam possíveis de serem feitos em um estúdio, pois por mais bem feito que fique o cenário gerado por computador, ele não passa a mesma sensação de profundidade, iluminação, textura e realismo quanto um cenário construído fisicamente.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Viva Dom Pedro?

   Imaginem que que os Estados Unidos hoje ainda sejam uma colônia inglesa. Agora imaginem que o príncipe Charles declara a independência estadounidense e se auto declara Imperador dos EUA. Viu como é absurdo? Por que as pessoas gostam tanto de Dom Pedro I por ter gritado "Independência ou Morte!"? Como seria possível o príncipe herdeiro do trono do reino de Portugal se simpatizar com a maior e mais rica colônia portuguesa, ficar com pena da opressão que o reino de onde ele veio e decidir elevar o nosso status para país independente sem mais nem menos? Nesse mundo os governantes nunca fazem nada por pena do povo.




  Nesse caso, a situação do Brasil era a seguinte: Os Estados Unidos foram a primeira colônia americana a se tornar independente da Europa, e havia um forte movimento de independência acontecendo em toda a América, os países latino-americanos, que eram nossos vizinhos de fronteira, estavam todos tornando-se independentes, para o Brasil era só uma questão de tempo. E esse tempo havia encurtado por causa da vinda da família real portuguesa ao Brasil. Quando eles vieram pra cá, o osso status subiu de colônia para parte do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Isso significa que ganhamos um pouco (um pouco) mais de independência político-administrativa, além de uma melhora na infra-estrutura, principalmente nas regiões administrativas do país, além da abertura dos portos para outros países além de Portugal (o que dá mais variedade em parceiros comerciais). 


  Quando Napoleão foi derrotado e a família real portuguesa se viu tendo que voltar para sua terra natal, eles perceberam que em breve perderiam o Brasil, já que os brasileiros não aceitariam perder a liberdade que ganharam com a vinda da família real e se revoltariam, mas deixar o Brasil nesse status elevado comprometeria o comércio com Portugal e o comércio de Portugal com o resto do mundo. E que não havia nada que podia ser feito em relação a isso.


 Então Dom João IV teve uma idéia brilhante! Deixou o seu filhinho aqui no Brasil para preparar um golpe de Estado. Assim, se Dom Pedro declarasse independência do Brasil não haveria necessidade de forças políticas internas brasileiras tomarem essa ação. E por que é melhor ter Dom Pedro no poder do Brasil do que políticos brasileiros? Muito simples, porque assim Dom Pedro recebe as ordens do papai dele (ou seja a metrópole européia) pra que mantenha o Brasil em teoria politicamente independente, só que ainda se submetendo às regras de Portugal. 
Prontinho! Agora já dá pra satisfazer os brasileiros trouxas que aceitam ser dominados e ao mesmo tempo satisfazer os portugueses que podiam continuar usufruindo do Brasil do mesmo jeito que se fazia na época de colônia, por isso o Brasil demorou quase um século a mais que os outros países americanos para de fato tornar-se politicamente independente da metrópole. E ainda dizem que português é burro e que Dom João IV era bobo.... 

Spread the Plague


  Emilie Autumn não é muito conhecida aqui no Brasil, mas é na minha opinião uma das maiores artistas dessa geração. Emilie Autumn nasceu em 22 de setembro de 1979 começou a aprender violino aos 4 anos. Aos 10, ela entrou para a Escola de Performances Artísticas Colbourn e aos 15 na Escola Universitária de Música de Indiana, mas ela acabou saindo de lá devido a desentedimentos com os superiores em relação à sua forma não tradicional de ser e de se vestir, então começou a estudar sozinha, praticando cerca de 9 horas por dia. Emilie disse que "comia, dormia e respirava suas gravações, muito pela grande e usualmente notada decepção dos (seus) professores" e que "lia tudo que estiver em baixo do Sol, desde história musical à literatura feminista à Shakespeare". 

  O primeiro álbum lançado por EA foi "On a Day" que é um álbum de música clássica com composições dela mesma e de outros compositores famosos como Bach, Leclair e Corelli. Em 2003 ela lançou "Enchant", um álbum que tem uma aura mais calma e  aborda temas como contos de fadas, e em 2006 o álbum que considero sua obra-prima: "Opheliac". "Opheliac" se refere à uma pessoa que sofe da "sindrome de Ofélia" que seria uma espécie de síndrome do romantismo. É um álbum duplo agressivo e forte, em que ela toca com violino elétrico distorcido e cravo com remixagens, tornando o som muito peculiar, um estilo que ela define como vitoriano-industrial. As letras são inspiradas em literatura, loucura, história e suas próprias experiências pessoais. É um tipo de música bastante singular. Na primeira vez que ouvi demorei um tempo pra decidir se gostava ou não, agora decidi que adoro. Vou colocar aqui algumas músicas pra vocês conhecerem mais o trabalho dela:




Shalott:



  Essa música é baseada no poema "The Lady of Shalott" que conta a história de uma jovem amaldiçoada a viver presa numa torre, podendo ver o mundo apenas através de um espelho, até que um dia ela vê um cavaleiro, se apaixona, foge e decide ir atrás dele, mas como a maldição não permite que ela saia da torre, ela morre antes de encontrá-lo. Há uma outra versão da história em que ela chega a conhecê-lo mas ele se mostra um bêbado arrogante que não respeita mulheres e a lady fica muito angustiada com a realidade do mundo e morre por dois motivos: a maldição e o desgosto com o mundo real.


Dead is the New Alive:



  Nessa música ela satiriza a forma com que algumas pessoas vivem, quando elas ficam tão fissuradas com a morte que deixam de viver. Emilie disse que passou uma época da vida se sentindo assim, e que acredita que as pessoas precisam ser capazes de satirizar a si mesmo.

  Aliás que a vida dela foi bastante conturbada. Emilie Autumn é bipolar e devido às dificuldades por quais ela já passou (incluindo um estupro) ela entrou em depressão e ficou um tempo internada. Essa experiência influenciou muito o trabalho dela, que não é apenas com música, Ela também escreve, um dos seus livros é de poemas ("Your Sugar sits Untouched") e o outro é uma mistura de ficção com realidade, em que ela fala sobre suas experiências e traça um paralelo com os manicômios da era Vitoriana. ("The Asylum for Wayward Victorian Girls").  Ela já lançou outros álbuns além dos que já mencionei, como "Laced & Unlaced" (onde ela explora a mistura de música clássica e eletrônica), e "A Bit O' This & That", ela também já fez covers de Alice Cooper, Queen, Billie Holliday e até Cyndi Lauper. Além disso ela também já trabalhou ao lado de Courtney Love.
  Emilie Autumn diz que quando as pessoas vão a um show, elas não querem apenas ouvir a música, então ela faz questão que a parte visual de suas apresentações seja tão bem trabalhada quanto a música, cada show normalmente dura cerca de três horas e é repleto de atos teatrais, fantasias e cenário detalhado com um ar que mistura circo e manicômio vitoriano com um toque de steampunk. Tem também as Bloody Crumpets, as ajudantes da Emilie, cada uma delas representa alguma personagem relacionada a algum tipo de loucura.


  Pra finalizar, vou explicar o título desse post: Emilie Autumn costuma chamar seus fãs de "plague rats". Ela adora ratos e acredita que eles são mais amigáveis e compreensivos que as pessoas. Além disso os plague rats espalham a praga: mostram o trabalho de Emilie para que os outros também sejam infectados pela arte dela.



sábado, 4 de setembro de 2010

Um Blog?

  Pois é, há muito tempo estive pensando em fazer um blog, mas eu sou preguiçosa e vivia deixando pra depois... mas agora decidi que iria parar com isso! Finalmente tomei coragem e fiz um *o* Vou tentar postar pelo menos uma vez por semana, embora minha vida seja meio corrida. Vou falar aqui sobre... bem, sobre o que me der vontade de falar na hora ^-^ Normalmente gosto de falar sobre filmes e música ou simplesmente filosofar um pouco. Todo caso, espero que quem leia goste!