domingo, 26 de setembro de 2010

Gerges Méliès, o pai dos efeitos especiais




  Pra quem não conhece, Geroges Méliès foi um ilusionista francês que viveu entre 1861 e 1938, considerado pai dos efeitos especiais. Ele trabalhava no Teatro Robert-Houdin e em 1895 viu a primeira apresentação de um filme na história realizada pelos irmão Lumière e desde então ficou fascinado com o cinema. Decidiu então comprar um cinematógrafo, mas os irmãos Lumière se recusaram a vender para ele, então Méliès construiu um.
  Méliès descobriu alguns truques com a câmera, e em 1897 construiu seu próprio estúdio, o Star Films. Nele, os filmes eram gravados em frente a um cenário fixo com câmera também fixa com o fundo sendo feito por uma pintura a óleo, tal como eram realizados peças de teatro e apresentações de mágicos.



  Os efeitos são impressionantes para a época, e percebe-se que ele era um homem à frente de seu tempo. Um dos seus filmes mais famosos foi "Le Voyage dans la Lune" (A viagem para a Lua) feito em 1902. Isso mesmo, 67 anos antes de se realizar a primeira viagem tripulada à lua, Méliès fez um filme sobre isso (tem até alienígenas nele!), sendo os filmes que eram exibidos em sua época normalmente tratavam de cenas cotidianas, como um trem chegando à estação ou mulheres saindo de uma fábrica, não se fazia filmes que tinham estória, roteiro, narrativa, personagens, figurinos, cenários etc. Por isso considera-se que ele foi quem inaugurou o gênero de ficção científica no cinema. Outros filmes dele: Joana D'Arc, Viagens de Gulliver, Cinderella, Cleopatra, 20.000 Léguas Submarinas, entre outros.




  Seus trabalhos de ficção científica foram muito inspirados nos livros de Julio Verne e H.G. Wells. Alguns dos efeitos que Méliès inventou foram: fusão de imagens, exposição múltipla de negativos, maquetes e truques ópticos, criando a ilusão de fantasmas, pessoas e coisas que se transformavam ou sumiam e reapareciam. Além disso Méliès também foi o primeiro a experimentar com filmes coloridos. Isso mesmo, o cara fez filmes com cores antes do início do século XX. A sua técnica para colorir filmes dava trabalho: ele pintava cada frame com pincel e tinta.




  Infelizmente o estúdio de Méliès foi à falência em 1913, pois seus filmes haviam sido pirateados e estavam sendo distribuídos e exibidos em outros países sem os devidos direitos autorais. Thomas Edison por exemplo, foi um dos que roubaram alguns filmes de Méliès para serem exibidos nos Estados Unidos antes que Méliès expandisse seu trabalho para o outro lado do Atlântico. Depois da falência da Star Films, Méliès voltou a fazer apresentações de mágica, mas em 1923 seu teatro fechou e teve que ser vendido, junto com os figurinos, cenários e adereços utilizados para os filmes. Méliès teve que passar o resto da vida sobrevivendo vendendo doces. 
  Na época em que ainda estava ativo, Méliès tinha feito mais de 500 filmes com duração que variava entre um minuto e 45 minutos. Grande parte deles foram derretidos na primeira guerra mundial para fazer solas de sapatos para os soldados, já que na época os filmes eram feitos de celulose. Outros foram vendidos para serem reciclados para que se pudesse fazer mais filmes, por isso a maioria dos filmes dele não existem mais.

Um comentário:

  1. Nossa, não conhecia "a origem"(sugestão para seu próximo tema) dos efeitos especiais,e sinceramente era uma curiosidade pessoal, sempre tive vontade de...esquecer a preguiça...e pesquisar sobre isso. Lendo o que você postou,não dá para acreditar, o que ele conseguiu fazer sem recurso algum,somente com as suas idéias, e, pelo que notei sem ajuda de ninguém para concretizá-las.Só lamento, que apesar de sua mente brilhante, ele viveu numa época onde não conseguiu encontrar ninguém que tivesse sensibilidade suficiente para transformá-lo num Spielberg!!!!Já imaginou quantas mentes assim, brilhantes, se perderam na nossa história? Uma coisa é certa, ele foi um ilusionista. Vou pensar mais sobre isso......Hei, será que Spielberg soube da existência dele?

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